Jovem de Bauru vai para guerra na Rússia, relata abandono no front e família pede ajuda ao Itamaraty
Por RÁDIO MELHOR FM
Publicado em 28/08/2025 11:03
Internacional

O bauruense Victor de Sousa, de 24 anos, embarcou no dia 21 de junho para a Rússia após assinar um contrato de um ano com o Ministério da Defesa da Federação Russa. A promessa era de bons salários e estabilidade financeira, mas a realidade encontrada foi bem diferente: o jovem relata ter sido usado como “escudo humano” na linha de frente da guerra contra a Ucrânia.

Segundo a família, Victor vendeu pertences pessoais, gastou mais de R$ 5 mil na passagem e partiu motivado pela proposta de um amigo que mora no país. A ideia era simples: trabalhar por um período, enviar dinheiro para casa e retornar. Mas, ao chegar, descobriu que havia assinado um contrato em russo, repleto de divergências, e que o treinamento seria de apenas duas semanas antes de ser enviado diretamente ao front.

“Foi tudo ao contrário do prometido. Ele está se sentindo enganado. Todos os imigrantes que foram com ele já morreram”, contou a irmã, Loys Bruna, ao g1.

Victor não tinha formação militar e afirma ter sido colocado em batalhões de assalto logo no início. Segundo ele, estrangeiros são usados como “escudos” na linha de frente, sem preparo, com pouca proteção e sem assistência médica. Em um dos combates, foi atingido por estilhaços na perna e precisou cuidar dos ferimentos sozinho.

Em relatos enviados à família, o jovem descreveu momentos de horror, como o pedido de um colega chinês que, após perder as duas pernas, implorou para ser morto. “Sobrevivi por Deus e não desejo que ninguém passe por isso”, escreveu Victor, que afirma estar sem salário, sem documentação militar e isolado entre Luhansk e Donetsk.

A família, em Bauru, busca ajuda desesperadamente junto ao Itamaraty e à Embaixada do Brasil na Rússia para trazer Victor de volta. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que acompanha o caso e reforçou o alerta para que brasileiros não aceitem propostas desse tipo. Já a embaixada brasileira em Moscou solicitou documentos da família para auxiliar na identificação do jovem.

 

Enquanto isso, Victor segue em meio à guerra, sem garantias de retorno. “A gente está desesperado, pedindo ajuda de todas as formas possíveis. Falamos com ele hoje, e a única pergunta foi se já tínhamos conseguido apoio”, disse Bruna.

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