A anta adulta resgatada no dia 21 de agosto, em meio a um incêndio na região de Presidente Prudente (SP), deu sinais de recuperação nesta semana. O animal, que sofreu queimaduras graves em cerca de 70% do corpo e perdeu totalmente a visão, voltou a se alimentar no Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras) da Apass, em Assis (SP).
Segundo a equipe técnica, a evolução só foi possível após o controle da dor. “Com a medicação, conseguimos reduzir o sofrimento, o que permitiu que ela retomasse a ingestão de alimentos e água, ainda que com dificuldade por causa das lesões na cavidade oral”, explicou Ana Beatriz Godoy, assessora técnica e administrativa da associação.
Desde o resgate, a anta vem recebendo cuidados intensivos, incluindo hidratação venosa, analgésicos, anti-inflamatórios, antibióticos, curativos diários e tratamento contra miíase — infecção ocular causada por larvas de mosca. Apesar da melhora, o processo de recuperação é considerado lento e poderá deixar sequelas permanentes que inviabilizem o retorno do animal à natureza.
Este é o primeiro caso de animal vítima de queimadas atendido pela Apass em 2025. No ano passado, foram 94 registros em todo o estado de São Paulo, com 53 mortes confirmadas.
Além da anta, o Governo de São Paulo confirmou nesta semana outro caso de animal silvestre atingido por incêndio: um filhote macho de gato-do-mato, encontrado debilitado após fogo em uma área rural de São Roque (SP). O felino foi resgatado por um caseiro e encaminhado ao Cras Núcleo da Floresta, onde recebe tratamento veterinário.